quarta-feira, 29 de outubro de 2008

41. Um suicida


A notícia que estava na boca de todas as pessoas na manhã seguinte foi o suicídio do Demerval, um cara de quase trinta anos. Ele era casado, tinha dois filhos pequenos, muitos conflitos com a esposa e corria à boca pequena que assediava os rapazes e os homens da cidade.


As justificativas para sua morte eram que ele tinha um caso com um rapaz, o qual trabalhava no sítio da família e que o rapaz tinha pedido as contas e se mudado para outra propriedade no município vizinho. Demerval o procurara durante o Carnaval, procurando convencer o moço a voltar a trás na decisão, mas o moço não se comoveu com o pedido.

Depressivo e desesperado, Demerval se enforcou com uma corda no suposto local em que mantinha seus encontros amorosos com o ex-empregado.

Uns comentavam assustados, alguns fazendo piadas, outros constrangidos e havia ainda aqueles que diziam não encontrar problemas no amor dos dois.

Na falta do que fazer – ele não iria ao velório, pois não era amigo do defunto, nem da família – Otávio passou grande parte do dia navegando na internet e pensando nos possíveis motivos para o que acontecera ao rapaz. Lia blogs e pensava nos motivos por que criara o seu. A princípio pensava em divulgar a sua literatura, mas uma desesperança batia em sua mente ao constatar que raras eram as páginas que tinham exclusivamente essa intenção. Isso significaria que ficção não era propriamente um interesse dos freqüentadores de blogs.

Por que e para quem escrevia então?

3 comentários:

Serginho Tavares disse...

pra si mesmo talvez...

Silvia Emanuela disse...

Só passei pra dizer q adorei o seu blog!

Klero disse...

ouch
que dark